Manobras contra <br> a paz na Síria
A Síria recusa que a conferência internacional Genebra II determine a entrega do poder, desfecho pretendido por «oposição» e potências estrangeiras que a suportam, posição, aliás, transmitida já a semana passada pelo presidente do país ao enviado especial das Nações Unidas e da Liga Árabe. No encontro com Lakhdar Brahim, Bachar al-Assad rejeitou qualquer interferência a favor da oposição na iniciativa promovida pela Rússia, ONU e EUA, e frisou que «o povo sírio é a única parte a ter o direito de decidir o [seu] futuro».
Para al-Assad, «o sucesso de qualquer solução política passa por parar o apoio aos grupos terroristas, por uma pressão sobre os países que facilitam a sua passagem, que lhes oferecem dinheiro, armas e apoio logístico», expressou ainda, de acordo com a Lusa.
Já esta semana, os responsáveis das relações externas dos países árabes reuniram no Cairo e apelaram à «oposição» para que compareça unida em Genebra. Ahmed Jarba, representante da coligação nacional síria, a principal facção «rebelde», coloca como condições para a presença na conferência internacional a não participação do Irão e a existência de um calendário para a saída de Bachar al-Assad. Jarba terá igualmente apelado ao reforço da ajuda militar à milícias, as quais, através do conselho nacional sírio, garantem que não vão a Genebra.
A posição da coligação nacional síria é decalcada da assumida pelo secretário de Estado norte-americano. De passagem pelo Cairo, John Kerry sublinhou que os EUA e os aliados estão empenhados no objectivo de forçar uma transferência de poder na Síria. As autoridades de Damasco e a Rússia qualificaram as declarações como ameaças à paz e à conferência internacional.
No quadro das manobras contrária à pacificação do conflito, Israel bombardeou, quarta-feira, 30, instalações militares sírias em Latakia, informou a CNN, e alegadamente também nos arredores de Damasco, na versão da Al Arabiya. Nos Montes Golã, o exército sírio combate uma incursão de milhares de jihadistas.
Paralelamente, a Organização para a Proibição das Armas Químicas (OPAQ) confirmou que selou todo arsenal químico declarado pelo regime, e que inutilizou todas as instalações capazes de o reproduzirem.